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Mensagem do Diretor

Anders Reagan, Diretor Fundador do Institute for Global Peacecraft

Porque é que a questão é importante agora

Anders Reagan no evento paralelo da quinquagésima oitava sessão do Conselho de Direitos Humanos, Palais des Nations, Genebra, 24 de março de 2025.
Anders Reagan no evento paralelo da quinquagésima oitava sessão do Conselho de Direitos Humanos, Palais des Nations, Genebra, 24 de março de 2025.

Manter a paz e a segurança internacionais é o primeiro dos propósitos das Nações Unidas, e a palavra paz figura na Carta, na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, nos documentos A New Agenda for Peace e Pact for the Future. Contudo, os investigadores não estão de acordo sobre o que é a paz. Uma revisão de 2024 publicada na International Studies Review identificou 61 conceitos distintos de paz na literatura científica. Em 2025, o Uppsala Conflict Data Program registou mais conflitos armados de base estatal do que em qualquer ano desde 1946, e o Global Peace Index de 2026 registou o décimo segundo declínio anual consecutivo do nível de paz no mundo.

Os Estados-Membros comprometem-se com a paz nas suas resoluções, e o direito, os mandatos e os indicadores destinam-se a contribuir para ela. Mas, sem uma explicação clara do que é a paz, é difícil saber se o fazem. O Instituto existe para trabalhar sobre essa questão. Estuda a forma como o conceito de paz é definido e utilizado na investigação, no direito, nas políticas e na prática. A sua finalidade é identificar a base comum que estas compreensões partilham e articulá-la como uma teoria da mudança abrangente para a paz global. O Instituto não procura impor uma definição exclusiva nem acrescentar mais uma. Examina em que medida os atores de todos os níveis, desde os órgãos intergovernamentais aos líderes religiosos e às comunidades locais, já perseguem os mesmos fins. Procura também enunciar essa base comum com clareza suficiente para que outros a possam pôr à prova face às suas próprias conceções. Onde ela se confirmar, poderão utilizá-la para avaliar se as leis, as políticas e os programas servem verdadeiramente a paz. Enunciada desta forma, a base comum permitiria que os seus esforços se reforçassem mutuamente, em vez de concorrerem entre si.

Partimos de uma esperança que é também uma hipótese de trabalho: a de que a guerra não é o destino da humanidade. A Declaração de Sevilha sobre a Violência, redigida por cientistas em 1986 e adotada pela Conferência Geral da UNESCO em 1989, conclui que «a biologia não condena a humanidade à guerra» (tradução não oficial). A Constituição da UNESCO afirma que, «uma vez que as guerras nascem no espírito dos homens, é no espírito dos homens que devem ser erguidas as defesas da paz» (tradução não oficial). O Instituto trabalha com base na premissa de que a paz se tornará mais fácil de construir de forma sustentável à medida que for mais bem compreendida.

Agradecimentos

O Instituto agradece aos Trainees de Investigação que, desde 2025, dedicam voluntariamente o seu tempo ao seu trabalho, aos organizadores dos workshops em que apresentou o seu trabalho e aos membros do painel do seu evento paralelo no Conselho de Direitos Humanos. O Instituto é independente e procura contribuições voluntárias para realizar o seu trabalho. Contribuições flexíveis e assumidas por vários anos permitir-nos-iam planear programas de investigação abrangentes, que normalmente levam anos a concluir.

Anders Reagan
Diretor, Institute for Global Peacecraft

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